Autor: Tayrine Monteiro
A sensação de surpresa rapidamente se transforma em preocupação, depois em desgaste, ligações, protocolos e horas tentando desfazer algo que sequer deveria ter acontecido.
Agora imagine o cenário inverso: a tentativa ocorre, mas antes de qualquer confirmação, a instituição financeira consulta o sistema do Banco Central do Brasil e, em segundos, recebe a resposta “bloqueado”. A conta simplesmente não é aberta.
É exatamente essa lógica de prevenção que fundamenta o BC Protege+.
Você já imaginou o impacto disso na prevenção a fraudes? Em vez de agir depois do problema, discutindo responsabilidades e tentando reverter danos, o bloqueio ocorre na origem, impedindo que a relação contratual sequer se forme. Trata-se de uma inversão importante na lógica tradicional de proteção: sai o modelo reativo, entra o modelo preventivo.
O que é o BC Protege+?
O BC Protege+ é um mecanismo oficial que permite você registrar, de forma voluntária, uma restrição para impedir a abertura de novas contas em seu nome ou sua inclusão como titular ou representante em contas de terceiros.
Em termos simples: você registra a sua decisão, e o sistema financeiro é obrigado a respeitá-la.
Regulamentado pela Instrução Normativa BCB nº 661/2025, o sistema integra o conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento da segurança no Sistema Financeiro Nacional e dialoga diretamente com as exigências previstas na Resolução CMN nº 4.753/2019 e na Resolução BCB nº 96/2021, que tornam obrigatória a consulta prévia pelas instituições financeiras antes da abertura de determinados tipos de contas.
Como funciona na prática (e por que a resposta vem em segundos)
Na prática, isso significa que, antes de abrir uma conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pré-paga, ou ainda incluir um novo titular ou representante, as instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central devem consultar o sistema.
Essa consulta é realizada de forma motivada e registrada, conforme determina a regulamentação. O retorno é praticamente imediato: em segundos, o sistema informa se a operação está “permitida” ou “bloqueada”. Caso exista restrição ativa, a conta não pode ser aberta. E, se houver indisponibilidade momentânea do sistema, a instituição deve aguardar, não podendo simplesmente ignorar a verificação.
E quando se trata de empresas?
Para pessoas jurídicas, a proteção é ainda mais robusta. A consulta deve abranger não apenas o CNPJ da empresa, mas também o CPF de todos os seus titulares e representantes, criando uma camada adicional de verificação e reduzindo o risco de estruturas fraudulentas mais complexas.
É gratuito?
Sim.
O registro da restrição no BC Protege+ é totalmente gratuito. Não há tarifa para ativação, manutenção ou consulta pelo cidadão.
É uma ferramenta pública de proteção, acessível a qualquer pessoa que cumpra os requisitos de autenticação.
Como ativar a proteção?
A ativação é feita diretamente no ambiente “Meu BC”, por meio de conta Gov.br com nível prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada.
O processo é online, simples e o efeito é imediato.
Caso você precise abrir uma nova conta no futuro, é possível desativar a restrição, inclusive de forma temporária. O controle permanece com você.
O que muda e o que não muda na sua vida financeira
É importante destacar que o BC Protege+ não interfere nas contas já existentes. Ele atua exclusivamente sobre novas aberturas ou inclusões, funcionando como um escudo prévio, e não como um bloqueio generalizado da sua vida financeira.
Você continua movimentando suas contas normalmente. A diferença é que novas relações só nascem se você permitir.
A Delfinance acompanha de perto as iniciativas do Banco Central que aumentam a segurança do sistema financeiro e a proteção dos consumidores. Conheça mais sobre nossas soluções, iniciativas e a trajetória da nossa instituição aqui.
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